A Responsabilidade dos Herdeiros no Implantação de um Planejamento Sucessório

O planejamento sucessório nada mais é do que a adoção de medidas que possibilitam a transição de um negócio entre gerações de forma organizada, para evitar que conflitos desnecessários coloquem a saúde da empresa e a relação familiar em risco.

 

Mas frequentemente nos deparamos com a inércia dos fundadores em tomar a iniciativa, dar um passo decisivo e iniciar todo o processo. Pelo o que identificamos, na maioria dos casos, o motivo dessa paralisação é evitar conversas que podem gerar algum desconforto entre os membros da família ou mesmo trazer à tona problemas que estão escondidos debaixo do tapete.

 

No fundo, os fundadores, patriarcas ou matriarcas, têm ciência de que esse assunto pode trazer muita dor de cabeça no futuro, e parecem viver em um conflito interno sobre como e quando devem tomar algum tipo de atitude para tentar preparar a família para esse próximo passo.

 

Além disso, também identificamos que é difícil para alguns fundadores abrir espaço e discutir sobre o direcionamento dos negócios com os herdeiros, até porque, em muitos casos, associam o planejamento sucessório à simples passagem do bastão da empresa e de todos os rendimentos a ela atrelados.

 

Nesse contexto, entretanto, é imprescindível que os herdeiros assumam uma posição mais proativa, no sentido de ajudar os fundadores a compreender que o planejamento sucessório não implica na simples transferência de um negócio aos descendentes. Pelo contrário, representa a preparação dos herdeiros e da empresa, para que quando os fundadores não puderem mais estar à frente da operação, tudo esteja organizado, da forma como eles determinaram, o que contribuirá muito para que os negócios continuem existindo e provendo a família, da melhor maneira possível.  

 

Essa não é uma tarefa fácil! Principalmente porque dependendo da forma como o assunto for abordado, pode passar a impressão de que há um interesse em assumir uma posição que já está ocupada. Mas é de extrema importância que essa dificuldade seja superada e que esse tipo de conversa deixe de ser um tabu.

 

A medida em que o tema seja tratado adequadamente pelos herdeiros, de uma maneira que deixe claro que a implantação desse tipo de projeto tem como finalidade beneficiar toda a família, os fundadores passarão a enxergar a adoção de um planejamento sucessório de uma forma muito mais benéfica e acabarão se poupando de ter que revirar alguns assuntos familiares, já que tais assuntos começarão a ser revirados naturalmente, pelos próprios herdeiros, conforme o trabalho for sendo desenvolvido.

 

Essas premissas valem também para a transferência de patrimônio. Quanto antes os fundadores estabelecerem como deve ser feita a divisão e gestão dos bens pelos herdeiros, mais fácil será a convivência e a administração de referido legado pelos sucessores.

 

Assim, quanto antes os herdeiros e patriarcas se dispuserem a ter uma conversa franca sobre a forma como será feita a sucessão, maiores serão as chances de que as mudanças sejam por eles controladas, ao invés da família ficar sujeita ao que virá. E é essa a responsabilidade dos herdeiros: ajudar os fundadores na difícil tarefa de planejar o futuro!

 

 

 

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