Para que serve um planejamento sucessório e a quem se destina?

De uma maneira bem simplista e resumida, o planejamento sucessório serve para que fundadores indiquem aos herdeiros, de antemão, a parte que lhes cabe, tanto no patrimônio como nos negócios da família, e serve também para que sejam implantadas regras de como os familiares devem se relacionar no que diz respeito ao negócio e aos bens, para que não haja conflito e nem disputa de poder entre si.


Isso não garante, entretanto, que a família viverá feliz e unida para sempre, muito menos que o negócio sobreviverá ao tempo e à troca de bastão. Da mesma maneira, não consegue assegurar que os herdeiros e as próximas gerações terão interesse em continuar naquela atividade ou trabalhar para dar seguimento ao negócio.


Por tudo isso, o planejamento sucessório não existe por um motivo específico e não se presta a atender a um determinado seguimento da família, porque não consegue dar garantias aos herdeiros sobre o futuro e muito menos assegurar aos fundadores que os negócios construídos a tão duras penas serão mantidos.


Na prática, o planejamento sucessório existe para trazer um certo conforto a toda a família. Esse tipo de projeto pode proporcionar maior diálogo, antecipar disputas e permitir que o padrão de vida até então adotado, seja mantido por mais tempo.


Ninguém é senhor do destino ou dono do futuro, e é irresponsável, leviano e até um pouco imaturo pensar que através de um simples planejamento os próximos anos estarão garantidos e seguirão no mesmo compasso do que ocorreu até então.


Mas o que é possível antever, é que muitas famílias se despedaçam e inúmeros negócios vão à falência pelo simples fato do fundador não ter se preocupado em preparar a sua família para o momento em que fosse necessário que alguém assumisse a posição de controle, pela ausência de conhecimento dos herdeiros sobre os detalhes e andamento dos negócios e, principalmente, pelas disputas de poder e ganância de quem consegue assumir uma posição de comando.


Nesse pensamento, e lembrando que a única coisa de que temos certeza é que um dia não estaremos mais neste plano, é importante que os fundadores, os patriarcas e as matriarcas ponderem se estão dispostos a dividir com os herdeiros a responsabilidade de programar a forma como a família se relacionará com os negócios, com o patrimônio e, principalmente, entre si, no futuro. Ou seja, se estão dispostos a assumir as rédeas dessa transição e mostrar para os herdeiros que eles, os fundadores, é que conduzirão e determinarão como serão administrados os bens materiais da família e o papel de seus membros nesse processo, e não o contrário. É importante lembrar que conduzir a transição não é transferir qualquer poder de decisão aos herdeiros, pelo contrário, é ensinar como as coisas funcionam e estabelecer a maneira como eles devem se relacionar com os negócios.


Do lado dos herdeiros, por sua vez, é necessário que se faça um exercício de imaginar como teria sido a vida sem os negócios da família, quais são os pontos críticos que precisam ser conversados e definidos e, principalmente, entenderem que a responsabilidade por levar adiante qualquer eventual projeto de planejamento adotado é deles.


Ninguém é obrigado a dar continuidade a um negócio com o qual não se identifique, muito menos a trabalhar a vida inteira com parentes com os quais não tenha muita afinidade ou aproximação. Mas é preciso que se saiba que muitas empresas têm sócios que não participam da operação e que ainda nesse formato, conseguem se envolver apenas nas decisões estratégicas e manter o sucesso do que foi construído.


No fim das contas, tudo o que foi aqui mencionado serve apenas para esclarecer que negócios são negócios, ainda que misturem laços afetivos e relações familiares. E a partir do momento em que isso é identificado, que é possível compreender a importância de que os papeis estejam definidos de maneira prévia, assim como o formato da transição e a maneira como a gestão deve ser feita, as chances de se garantir o equilíbrio e entendimento das relações e o sucesso dos negócios, são muito maiores.


A única coisa que ainda não inventaram é uma máquina do tempo, para que fundadores e herdeiros voltem ao passado para decidir de forma harmoniosa e estratégica como deixar tudo organizado no futuro. Por que quando esse tipo de providência não é tomada, na grande maioria dos casos, o que sobra é correr atrás do prejuízo...

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